09 Julho 2009

A autarquia só precisa de não estorvar!

S. João da Madeira é um concelho com características únicas no contexto dos 308 municípios portugueses. Conta com um território físico de pequena dimensão, uma única freguesia e uma população residente que vai pouco mais além das 21 mil pessoas. Infra-estruturas básicas como a rede viária, saneamento, abastecimento de água, redes eléctrica, de gás ou de telecomunicações cobrem, praticamente, todo o concelho. Por outro lado, conta com um dinamismo empresarial que se destaca na Região e no país, constituindo um factor de forte atracção de muita gente de concelhos vizinhos que cá trabalha. O nível de serviços disponíveis também está acima da média do país, o comércio é diversificado e, de uma forma geral, de qualidade. As nossas escolas são boas, contam com excelentes profissionais e com várias ofertas educativas e organizam actividades importantes que envolvem toda a comunidade. O movimento associativo em S. João da Madeira é também bastante dinâmico e as nossas colectividades têm mostrado, ao longo do tempo, energia e resultados bastante interessantes nas mais diversas áreas. Instituições como a Santa Casa da Misericórdia ou os Bombeiros Voluntários, existentes também em grande parte dos concelhos portugueses, em S. João da Madeira são reconhecidas e respeitadas pelo trabalho intenso que desenvolvem em prol de toda a comunidade.

Mas repare-se que tudo o que referi no parágrafo anterior é algo que caracteriza S. João da Madeira há já largos anos, não é de agora. É algo que já damos por adquirido há muito tempo, já faz parte da matriz genética do nosso concelho. São aspectos, aliás, decisivos para que nos fôssemos afirmando em toda esta Região do Entre Douro e Vouga, no Distrito de Aveiro e também no país. Mas, afinal, o que falta a S. João da Madeira?

Certamente que esta pergunta terá respostas abrangentes e diversas por parte das várias forças políticas, partidárias ou independentes, que concorrerão às próximas eleições autárquicas. No entanto, pelo menos olhando para aquilo que foram os últimos anos da gestão do nosso concelho, não tenho grandes dúvidas em dizer que tem faltado pelo menos uma coisa: sensibilidade social. Na área social, não tenho dúvida alguma que ainda há muito para fazer e, para que tal aconteça, falta, de facto, o mais importante: sensibilidade.

Eu sou dos que defendem que as questões sociais, inclusivamente ao nível da definição das intervenções, não são assuntos apenas da autarquia. A autarquia é uma peça importante e imprescindível, é certo! No entanto, as entidades que estão no terreno deverão ter margem de manobra e recursos suficientes para levarem por diante as intervenções concretas que se mostrem necessárias, de forma articulada, rigorosa, eficaz e transparente. E aqui o trabalho em rede e em parceria, o trabalho da Rede Social que existe em S. João da Madeira, pode fazer toda a diferença. A reduzida dimensão do nosso concelho e o grande dinamismo e competência das instituições que se sentam na nossa Rede Social são condições que nos fazem ter confiança de que é possível fazer muito mais e melhor. Para tal, só falta mesmo a tal sensibilidade da nossa autarquia para as questões sociais, que é quem preside à Rede Social e quem pode servir de âncora para a captação de investimentos importantes para infra-estruturas e desenvolvimento de projectos fortes e relevantes. A pobreza, as dificuldades associadas a fenómenos como o desemprego, a toxicodependência, a violência doméstica, o alcoolismo, o abandono escolar, a deficiência, as dificuldades vividas pelos idosos e respectivas famílias que não encontram no concelho as respostas suficientes, o abandono e a exclusão são, infelizmente, alguns dos problemas que afectam também o nosso concelho. A falta de sensibilidade para com estes problemas é o primeiro passo para que se desviem os recursos disponíveis para outras prioridades que não aquelas que nos deviam mover a todos: a dignificação da pessoa humana, o combate às injustiças e às desigualdades e a atenção redobrada para com os mais desfavorecidos e os mais vulneráveis.

Creio, portanto, que a autarquia não se deve comportar como um obstáculo ao desenvolvimento de acções e intervenções concretas que possam eliminar ou atenuar determinados problemas. Para tal, se dúvidas houver, bastará olhar para a lei que regula a constituição e o funcionamento das Redes Sociais onde se refere, por exemplo, que:

“A rede social pretende constituir um novo tipo de parceria entre entidades públicas e privadas, actuando nos mesmos territórios, baseada na igualdade entre os parceiros, no respeito pelo conhecimento, pela identidade, potencialidades e valores intrínsecos de cada um, na partilha, na participação e na colaboração, com vista à consensualização de objectivos, à concertação das acções desenvolvidas pelos diferentes agentes locais e à optimização dos recursos endógenos e exógenos ao território.” (in Decreto-Lei nº 115/2006, de 14 de Junho)

No momento em que percebermos isto e estivermos conscientes dos nossos recursos, das nossas necessidades e da qualidade das nossas instituições que estão no terreno, estarão reunidas as condições para o desenvolvimento de um trabalho diferente e com maior impacto no que verdadeiramente interessa. A autarquia, nessa altura, só precisa de não estorvar!

Arigo publicado no Jornal Labor.

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Entre_linhas 54 (9jul2009)

No passado dia 29 de Junho estive presente na tomada de posse da nova Directora da Escola Secundária Serafim Leite, a minha colega e amiga Irene Guimarães. Tratou-se de um momento bastante importante para aquele estabelecimento de Ensino e a demonstrá-lo está a grande participação da comunidade escolar na cerimónia. Apesar de não estar a exercer neste momento funções naquela que é a minha escola, não pude deixar de fazer duas coisas: por um lado, desejar toda a sorte do mundo à Irene para o desempenho das novas funções, estando eu absolutamente convicto que, dada a sua competência e determinação, a Irene não deixará de desenvolver um trabalho que prestigiará toda a Escola; por outro lado pude também felicitar o Pedro Gual que presidiu o Conselho Executivo nos últimos 7 anos de forma exemplar. A Escola Serafim Leite é hoje uma escola de referência não só no concelho mas também a nível nacional, tendo sido, inclusivamente, uma das escolas piloto para a imple-mentação do Plano Tecnológico da Educação. A herança do Pedro é, portanto, enorme mas, estou certo, a Irene irá estar à altura das grandes responsabilidades e desafios que se adivinham. http://www.essl.pt

Na cerimónia da tomada de posse, para além da Isabel Fontoura, Presidente do Conselho Geral da Escola, discursaram a Directora Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira e o Presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Castro Almeida. Da Directora Regional registei o facto de estarem previstas para breve novas obras na Serafim Leite, inseridas no programa de requalificação do parque escolar que está a ser levado a cabo pelo Governo por esse país fora, obras essas que permitirão, por exemplo, recuperar as oficinas que há muito carecem de intervenção. Já quem ouviu Castro Almeida, não ficou com quaisquer dúvidas de que a campanha eleitoral para as legislativas já começou. A forma como se dirigiu à plateia, formada na sua grande maioria por professores, fez com eu e muita gente ficássemos com a percepção de que o coordenador autárquico do PSD está já no campo eleitoral. Não é estranho que tal aconteça! Contudo, apenas faz aumentar a curiosidade quanto à sua mais que certa, na minha opinião, recandidatura e quanto às pessoas que, desta vez, o acompanharão na lista de candidatos às autárquicas. É que eu suspeito que haja alterações que, a confirmarem-se, explicará muita coisa! Mas as próximas semanas desvendarão, certa-mente, todos os mistérios e segredos!

Manuel Pinho, após um gesto inadmissível na Assembleia da República em pleno debate do Estado da Nação, acabou por sair do Governo. Olhando para trás, são visíveis resultados significativos na área da energia, no apoio às PME’s e à internacionalização da nossa economia, para dar apenas alguns exemplos. Na verdade, fez um bom trabalho!

05 Julho 2009

Aquecimento nas salas ou quadros interactivos?

Numa das minhas incursões pelo Twitter, participei numa acesa discussão sobre os prós e os contras da introdução das tecnologias no ensino, no processo ensino-aprendizagem, em contexto de sala de aula. Eu situava-me, obviamente, do lado dos acérrimos defensores do Plano Tecnológico da Educação nas suas várias componentes, nomeadamente aquela que contempla o apetrechamento das nossas escolas com computadores e quadros interactivos.

No calor da discussão houve um comentário de alguém que me despertou particular indignação. Dizia um encarregado de educação de uma miúda do 5º ano que “razão tinha uma professora da sua filha que se recusou a utilizar os quadros electrónicos enquanto não existir aquecimento na escola”. Na verdade, esta frase chocou-me por duas ordens de razões: por um lado, pela decisão absurda da professora em causa e, por outro, pela concordância e o apoio explícito de um encarregado de educação com esta atitude da professora da sua filha.

Quanto à professora, parece-me inaceitável que faça depender a utilização deste tipo de equipamento, já colocado na sua sala de aula, da existência de aquecimento. Julgo que se trata de uma atitude negligente, descabida, inconsequente, reveladora de total irresponsabilidade e de falta de bom senso. Independentemente de poder ser bastante relevante o frio sentido pelos alunos naquela escola de Vila Nova de Gaia, não me parece minimamente razoável que se esteja a privar aqueles alunos de usufruírem das potencialidades de equipamento já existente na sua escola, equipamento esse tão importante para a criação de cenários de aprendizagem inovadores e motivadores. Felizmente esta não é a regra. Temos hoje nas nossas escolas muitos professores empenhados em utilizarem este equipamento com os seus alunos, abertos à participação em actividades de formação que os possa dotar de mais competências no seu manuseamento. Aliás, suspeito mesmo que a razão da atitude desta professora não tenha nada que ver com a temperatura da sala de aula!

Do lado do encarregado de educação da aluna e sem querer de modo algum opinar sobre a melhor forma de se transmitir valores de responsabilidade a uma criança (quem sou eu para tal?), parece-me no mínimo “estranho” que se possa apoiar uma tal atitude. Primeiro porque a decisão em si mesma não resolve o problema (ou seja, não aquece a sala de aula) e depois porque prejudica a própria criança. Mais estranho ainda foi o facto de este pai considerar que esta atitude possa ser encarada como “uma verdadeira lição de cidadania”. Por muito que me esforce, e acreditem que tentei fazê-lo, não consigo compreender esta posição. A única explicação que encontro é a primária necessidade revelada por algumas pessoas em criticarem e rejeitarem tudo o que vem deste Governo!

Já é velha esta demagógica ideia de se tentar condicionar o avanço e o progresso numa questão até que outra considerada mais importante esteja resolvida. Ainda não há muito tempo, Durão Barroso na altura candidato a Primeiro-Ministro de Portugal, dizia que “não avançaria com uma determinada obra enquanto existissem crianças com fome”. As coisas não funcionam desta forma e pensar o contrário é impedir que se avance. Pensar da forma como esta professora e este encarregado de educação o fizeram é meio caminho andado para não fazermos nada de nada.

É evidente que em momento algum desvalorizei a necessidade de se tornar as escolas locais mais confortáveis, em que o aquecimento assume particular relevância. As prioridades também devem passar por aí, de facto! Aliás, é bom que se sublinhe a requalificação do parque escolar que se encontra neste momento em curso, uma das prioridades estabelecidas pelo Governo na resposta à crise, resposta esta que implica um investimento público que alguns criticam. No entanto, seria um erro esperarmos que uma coisa esteja concluída para iniciarmos a outra. O país não pode esperar mais e as nossas crianças não nos perdoariam. Porque mesmo que as salas estivessem já todas aquecidas, viriam alguns queixar-se do calor do Verão e recusar a utilização dos quadros interactivos até que as salas de aula tivessem ar condicionado!

Artigo publicado no Jornal Labor e Acção Socialista.

26 Junho 2009

Entre_linhas 53 (25jun2009)

Foi com imensa tristeza que recebi a notícia da morte de Carlos Candal, um histórico do Partido Socialista (Partido onde milito), de Aveiro (o meu distrito, a minha Federação). Quando Candal falava nas reuniões partidárias, prendia a atenção de todos com as suas análises políticas sábias, inteligentes, muitas vezes subtis mas sempre acompanhadas de um humor fino que o caracterizava. Imagens de marca: frontalidade e o charuto! Era um Homem de esquerda, da esquerda democrática. Candal lutou pela liberdade, deu tudo pela construção de um país mais justo e mais solidário. Fundador do PS, orgulho-me de ter vivido alguns anos no seu tempo e sinto-me com sorte por ter escutado, ao vivo, muitas das suas intervenções políticas! Em jeito de homenagem, deixei no meu blog pessoal a transcrição do documento histórico da sua autoria que tanta polémica causou. A frase célebre "Ó António, já leste o papel?" põe a descoberto aquilo que acontece muito no nosso país: fala-se muito do que se desconhece! Não deixem de ler o "BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE" que, na minha opinião, é dos textos políticos mais brilhantes que guardo na memória! Até sempre, camarada! (Homenagem)

Os exames começaram e alguns resultados já são públicos, pelo menos ao nível das provas de aferição do 4º e 6º anos. Como habitualmente, são escritas e publicadas muitas opiniões, geralmente pouco fundamentadas, acerca do seu grau de dificuldade. Impressiona-me, por um lado, a ligeireza como alguns vão exprimindo a sua indignação face à alegada facilidade que os alunos revelaram na elaboração da prova e, por outro, no caso das provas de aferição, a desvalorização que se faz das melhorias, ainda que ligeiras, verificadas nos resultados. Estamos numa altura em que todos falam sobre tudo, com uma autoridade e com um conhecimento de causa que faz com que pareçam especialistas em todo e qualquer assunto. Depois, quando os resultados pioram condena-se os professores por não conseguirem fazer com que os seus alunos tenham bons resultados. Se os resultados melhoram é porque os exames são fáceis demais e os professores que conceberam as provas foram instrumentalizados pela Ministra da Educação que só trabalha para as estatísticas. Haja santa paciência! Cá por mim, neste caso concreto em que houve uma melhoria dos resultados nas provas de aferição, prefiro acreditar que se verificou uma melhoria das competências dos alunos, melhoria essa que também é fruto do trabalho dedicado dos seus professores, dentro e fora da sala de aula. http://www.gave.min-edu.pt

Se me perguntarem se as eleições legislativas e autárquicas deveriam ser no mesmo dia eu respondo: obviamente que não! Por favor, não misturemos duas discussões acerca de escolhas que são muito diferentes!

19 Junho 2009

Europeias de A a Z

Abstenção. Palavra mais ouvida por essa Europa fora, após o apuramento dos resultados oficiais. Em Portugal atingiu os 63,2%, um valor superior ao registado em 2004 (61,3%). Importa reflectir o que leva tanta gente a ficar à margem das escolhas dos seus representantes democráticos.


Bloco de Esquerda. Um dos partidos vencedores destas eleições. Conseguiram eleger 3 deputados, atingiram o estatuto de 3º partido político com mais votos e tiveram mais 215 mil votos do que em 2004. Parece certo que muito do eleitorado que tradicionalmente vota PS se deslocou nestas eleições para o Bloco e o PS não poderá ignorar este sinal.


Castro Almeida. Apesar de pertencer a uma das famílias políticas vencedoras, não deixa de ser um dos derrotados. Não nos podemos esquecer que foi um dos opositores à solução apresentada pela líder do PSD para cabeça de lista. Apesar de tudo, lá estava, na noite da consagração, a festejar a vitória do grupo. Tudo normal em política!


Durão Barroso. Tem a reeleição como Presidente da Comissão Europeia praticamente garantida. A sua família política mais directa venceu e conta ainda com o apoio de alguns socialistas. A Matemática não perdoa!


Europa. Acaba por sair fragilizada por dois motivos. Por um lado por causa da elevada taxa de abstenção que se registou na generalidade dos países (57%) e, por outro, pelo facto de terem sido eleitos representantes de partidos de extrema-direita e euro-cépticos. Não vai ser fácil segurar os 736 deputados eleitos!


Ferreira Leite. Teve uma vitória inequívoca, com mais votos e com mais deputados eleitos que qualquer outro partido. E isto após uma escolha interna não consensual de Rangel para encabeçar a lista. Não lhe podia ter corrido melhor a noite!


Governo. Ouviu-se falar em ilegitimidade na governação nos próximos meses, enquanto não se realizam as legislativas. Era só o que nos faltava termos agora o país parado, em plena crise, com as empresas e os cidadãos a necessitarem, mais do que nunca, de apoio. Obviamente deve continuar a resolver os problemas do país.


Hortaliça. Voltamos a ver Paulo Portas pelas feiras e a insistir no discurso defensor da agricultura. Hipocrisia podia ser igualmente a palavra escolhida para esta estratégia!


Irmãos Portas. Não deixa de ser curioso vê-los, de lados diametralmente opostos, a lutarem pelas suas convicções. Ganharam os dois!


José Sócrates. Um dos derrotados da noite, enquanto secretário-geral do Partido Socialista. Assumiu-o na própria noite eleitoral mas deixou bem claro que a perda desta batalha não o faz perder ânimo na governação. Determinação não lhe falta!


Legislativas. Há quem queira antecipar os resultados das próximas legislativas olhando apenas para o resultado das Europeias. São momentos eleitorais muito diferentes e os eleitores sabem bem isso. Só em Setembro é que os portugueses escolherão um Governo e um Primeiro-Ministro entre as opções que já estão em cima da mesa.


Mobilização. Esta derrota do PS servirá, estou certo, para mobilizar não só os militantes mas também todos os portugueses para os tempos que se avizinham. O que está em causa agora é a escolha do próximo Governo e isso levará mais gente às urnas. Este abanão acaba por ter este lado positivo!


Namoro. Obviamente que a soma dos votos do PSD e do CDS-PP (40%) já originou uns piropos entre estes dois partidos que, num passado recente, já estiveram casados. Há a possibilidade de isso voltar a acontecer mas para tal terão que iniciar novamente o namoro. Vejamos o que as próximas semanas nos reservam!


Ouvir. Há que saber fazê-lo nos próximos meses. Ouvir as pessoas, perceber o que as preocupa e o que anseiam, numa lógica de proximidade. Este aspecto será crucial na estratégia de qualquer partido.


PCP/PEV. Esta coligação (CDU) manteve dois eurodeputados e teve mais 70 mil votos do que em 2004. No entanto, foram ultrapassados pelo Bloco o que não os deve deixar totalmente tranquilos.


Queda. O PS teve-a de forma bastante acentuada. Perdeu 5 deputados e mais de meio milhão de votos. A reflexão será imprescindível!


Rangel. De praticamente desconhecido, após passagem pela liderança da bancada do PSD na Assembleia da República, venceu o combate. Usou muitas vezes a arma da demagogia e centrou toda a estratégia na discussão dos assuntos internos de Portugal, relegando para segundo plano a discussão em torno da Europa. Uma estratégia que acabou por sair vencedora, apesar de tudo!


Sondagens. As publicadas em Portugal saíram quase todas furadas. Na noite eleitoral os administradores das empresas autoras das sondagens não devem ter dormido tranquilamente. E não é motivo para menos!


TIC. Foi interessante verificar a utilização de tecnologias por parte dos vários partidos na comunicação com os eleitores. A Internet foi, de facto, um canal importante para a propagação das mensagens. E ainda bem!


União Europeia. Precisa de resolver ainda alguns problemas internos que impedem a criação de um espaço único com o qual os cidadãos dos 27 Estados Membros se identifiquem. A elevada taxa de abstenção por toda a Europa assim o demonstra. Era útil, por exemplo, a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.


Vital Moreira. Protagonizou uma campanha digna, tendo sido o alvo dos fortes ataques contra um Governo que, apesar de tudo, é suportado pelo Partido que apresentou a lista que o teve como cabeça. Tentou falar da Europa mas nos outros 12 partidos, não encontrava qualquer interesse em falar do tema. Como socialista, estou orgulhoso do seu desempenho.


Xutos e Pontapés. “Sem eira nem beira” foi uma música deste grupo rock que muitos tentaram transformar num manifesto contra o Governo. E isto apesar do próprio Zé Pedro ter referido que qualquer aproveitamento da música para criticar e contestar o Governo não iria receber a solidariedade do grupo.


Zimbabwe. Dos 286 inscritos neste núcleo de emigração, só 13 foram votar. O CDS e o PSD tiveram 6 votos e o Bloco 1 voto. Curioso o facto de ter sido com os votos da emigração que o Bloco conseguiu a eleição do terceiro deputado.

Artigo publicado no Jornal Labor de 18 de Junho de 2009.

18 Junho 2009

Morreu Carlos Candal



Foi com imensa tristeza que recebi hoje a notícia da morte de Carlos Candal, um histórico do Partido Socialista (Partido onde milito), de Aveiro (o meu distrito, a minha Federação). Quando Candal falava nas reuniões partidárias, todos o ouviam, prendia a atenção de todos com suas análises políticas sábias, inteligentes, muitas vezes subtis mas sempre acompanhadas de um humor fino que o caracterizava. Imagens de marca: frontalidade e o charuto! Era um Homem de esquerda, da esquerda democrática.

Candal lutou pela liberdade, deu tudo pela construção de um país mais justo e mais solidário. Fundador do PS, orgulho-me de ter vivido alguns anos no seu tempo e sinto-me com sorte por ter escutado, ao vivo, muitas das suas intervenções políticas! Vou ter saudades de Carlos Candal!

Deixo a transcrição do documento histórico da sua autoria que tanta polémica causou. A frase célebre "Ó António, já leste o papel?" põe a descoberto aquilo que acontece muito no nosso país: fala-se muito do que se desconhece! E vocês já leram o papel? Deixo-vos, em jeito de homenagem a Carlos Candal, o tal "BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE" que, na minha opinião, é dos textos políticos mais brilhantes que guardo na memória! Até sempre, Candal! Até sempre, camarada!



BREVE MANIFESTO ANTI-PORTAS EM PORTUGUÊS SUAVE

«Real Senhor ía passando… Encostado à bananeira, diz o preto para preta: está bonita a brincadeira.”
1.- Estava eu ‘posto em sossego’ – aprestando o barquito da família para umas passeatas na Ria -, quando soube que vinham albergar em Aveiro nada menos que 2-intelectuais-2 de Lisboa, apostados em trocar a missanga de meia-dúzia de refervidas ideias por um açafate cheio do marfim eleitoral deste Distrito.
De pronto apostado em estragar-lhes o negócio, ainda ponderei então a conveniência de dar um salto algarvio à Praia dos Tomates – para um tonificante estágio ‘à la minuta’, junto da elite bem-pensante e vegetariana da Capital em férias.
Todavia, depressa desisti desse passeio para o sul – confiado em que a singela funda-de-David, que sempre me acompanha, bastaria para atingir e abater essas aves de arribação.
Não é que não goste de pássaros. Gosto. Mas detesto os cucos políticos – que usurpam e se instalam com à-vontade nos ninhos feitos por outros companheiros (ía a escrever ‘camaradas’ – expressão regional caída em desuso, mas recuperável).

2.- Deixando os eufemismos, a verdade é que venho lutando desde há muitos anos (frustradamente embora) contra o latrocínio institucional de que a região de Aveiro vem sendo vítima: designadamente, tiraram-nos o Centro Tecnológico da Cerâmica; o Centro de Desportos Náuticos foi também para Coimbra; o discreto porto da Figueira da Foz vem sendo privilegiado em relação ao porto-de-mar de Aveiro; a nossa Universidade só começou a receber dotações decentes depois de saturada a Universidade do Minho; as questões da bacia do Vouga são tratadas na Hidráulica do Mondego; a Direcção dos Serviços da Segurança Social de Aveiro foi transferida para Coimbra; os nossos Serviços de Saúde foram degradados para ’sub-regionais’; a Agricultura do Distrito passou a ser dirigida pela Lusa Atenas e por Braga (!); e a supervisão da Educação na região foi repartida entre o Porto e a dita Coimbra.

3.- Só nos faltava agora mais essa: sermos doravante representados no Parlamento por dois intelectuais da Capital!
Era o cúmulo passarem os Deputados por Aveiro a ser gente de fora – ‘estrangeiros’ para aqui impontados por Lisboa, como ‘comissários políticos para zona subdesenvolvida’ ou ‘tutores de indígenas carecidos de enquadramento’.
Tinha que reagir – e reagi !

4.- Na verdade, o Distrito de Aveiro sempre foi terra de franco acolhimento para quem vem de fora – para aqui trabalhar e viver, valorizando a região (que se torna também sua). Aliás, é esse um dos segredos do nosso crescimento e desenvolvimento. É esta uma das características da nossa identidade: somos gente aberta e hospitaleira, tolerante e liberal, civilizada, moderna, culta e progressiva; todavia – até por isso – nunca tolerámos que nos impontassem mentores!

5.- Disposto a barrar a promoção (à nossa custa) a tais intrusos, procurei apurar quem realmente sejam.

6.- Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, foi-me fácil saber que, antes e depois do ‘25 de Abril’, foi comunista radical – daqueles que (aos gritos de “nem mais um soldado para as colónias”) impediram designadamente que Portugal pudesse ter evitado a guerra civil em Timor (e a subsequente invasão indonésia – com os dramas e horrores tão sobejamente conhecidos).
Com sólida formação marxista-leninista, o Dr. Pacheco Pereira tem vários livros publicados sobre o movimento operário e os conflitos sociais em Portugal no início do século.
Constou-me ter agora no prelo um longo escrito sobre as motivações íntimas que o terão levado a renegar o comunismo – opção ideológica que (a manter-se) não lhe teria permitido ‘fazer carreira’ no PSD, como é evidente…
Todavia, segundo notícias de certo semanário, o Dr. Pacheco Pereira recusa o jogo de equipa que a social-democracia pressupõe: ditadorzinho, não quer na campanha eleitoral em curso a companhia do Dr. Gilberto Madail – que limita às vulgares tarefas de motorista: guiá-lo pelo Distrito (que mal conhece). Realmente, o Dr. Pacheco Pereira ainda carece de alguma reciclagem democrática…

7.- Quanto ao Dr. Portas, esfalfei-me a correr bibliotecas e alfarrabistas – à procura dos livros que tivesse dado à luz, donde pudesse inferir qual seja afinal a corrente de pensamento que o norteia. Baldadamente. De facto, o Dr. Paulo Portas apenas publicou um ‘folheto de cordel’ (que me custou 750$00) sobre os malefícios da integração do nosso país na Comunidade Europeia – opúsculo sem qualquer novidade em relação aos numerosos bilhetes-postais que vem subscrevendo no seu jornal (sem erros ortográficos, mas com pouco fôlego – valha a verdade).
Digamos que tais escritos estão para o ‘ensaio’ como as quadras populares para o ‘poema’ – na forma e no conteúdo.
Trata-se de breves crónicas fúteis (embora não tanto como as do MEC, que aliás lhe leva a palma no sentido de humor e imaginação). Espremidas – pingam apenas cinco ou seis ideias, que não chegam sequer para conformar o anarco-conservadorismo (?) que se arroga ser a sua actual matriz ideológica.

8.- Certo é porém ter sido com essas ‘quadras soltas’ que o Dr. Portas concorreu aos jogos florais da política recente – ganhando (por ‘menção honrosa’) a viagem turística ao círculo eleitoral de Aveiro, que o Partido Popular oferecia como prémio para o melhor trabalho apresentado por amadores sobre o tema do ‘antieuropeísmo primário’.
Tenho-me esforçado por lhe estragar tal passeio – com algum êxito.

9.- Julgavam o Dr. Portas e o enfadado Pacheco Pereira (outro excurcionista) que as respectivas candidaturas a deputado por Aveiro eram ‘favas contadas’. Não nos conhecendo, supunham que os aveirenses (’provincianos’ como nos chamam) ficaríamos enlevados e até agradecidos pela sorte (grande) de passarmos a ser representados no Parlamento por ‘lisboetas de tão alto gabarito’ (a expressão não é minha, evidentemente).
Terão assim ficado surpreendidos pelo ‘impedimento’ que – logo após a 1ª anunciação – eu próprio (parente muito chegado da noiva) entendi opôr firmemente ao casamento-de-conveniência que pretendiam contraír com a minha querida região de Aveiro (num escandaloso golpe-de-baú eleitoral – para usar linguagem de telenovela).
Como consequência imediata, eles – que tencionavam ‘casar por procuração’ (que é como quem diz sem-sequer-cá-pôr-os-pés) – tiveram que se dar ao incómodo inesperado de interromper as regaladas férias que gozavam e vir mesmo mostrar-nos os seus dotes.
Estraguei-lhes o arranjinho!

10.- O primeiro a comparecer foi o Dr. Portas.
Chegou de fato novo e ideias velhas.
E instalou-se num hotel da região – escolhido pela mãezinha (no Guia Michelin).
Desde então, quase não tem feito outra coisa senão passar a ‘cassete’ – que gravou contra a participação de Portugal na Comunidade Europeia.
Tão desenvolto como qualquer vendedor de banha-da-cobra, impinge a quem se acerca as suas críticas à integração (aliás com a mesma monotonia com que o Marco Paulo repete ter dois amores).
E confunde deliberadamente os erros crassos cometidos pelo cavaquismo (nas negociações internacionais e no desenvolvimento interno das políticas sectoriais da integração) com a própria integração – o que constitui uma desonestidade intelectual inaceitável.
Pior é quando reclama que seja submetida a referendo a nossa entrada na União Europeia – depois de já termos entrado (e… recebido os milhões e milhões que essa opção facultou aos incompetentes governos do PSD) ! Aliás, o Portas não explica sequer que mirífica alternativa à comparticipação na CE teríamos podido escolher.

11.- Confrontado com questões políticas mais comezinhas (como a regionalização e o tratamento dos resíduos tóxicos), não tem opinião própria ou não sabe para que lado lhe convém cair – e refugia-se então na evasiva: reclama um plebiscito ‘adequado’.

12.- Fundamentalista e vaidoso, o Dr. Portas parece estar convencido de que não existe mais nenhum português inteligente e verdadeiramente patriota – além dele e do Dr. Manuel Monteiro.
Aliás, o Portas tem o nosso povo em fraquíssima conta…
Não obstante, messias da restauração, reclama ‘missionários’ (sic) para o seu ridículo sebastianismo – sem revelar de que Alcácer Quibir pretende afinal a reconquista.

13.- Inseguro, o jovem Portas sublima os seus problemas existenciais numa catarse de legitimidade duvidosa: exacerba as opiniões políticas que defende a um grau de intolerância que excede manifestamente o radicalismo aceitável de quem se move apenas por convicções arreigadas – tornando-se injusto, maledicente e agressivo.
Aliás, o frenesim que reveste a sua militância é bem um indício dessa terapêutica (praticada que foi, também, por ‘chefes’ cujos nomes a História registou – mal comparando…).

14.- Políticamente, o Portas é um ‘bluff’ – produto acabado de certos meios intelectualóides da Capital, que funcionam em circuito fechado: por convites mútuos, elogios recíprocos e esquemas de sobrevivência imediata.
Entre muitos outros, fazem parte de tal ‘entourage’ o avinagrado Vasco Pulido Valente (’avinagrado’ de vinagre – entenda-se) e sua piedosa esposa, D. Constança Cunha e Sá – ambos comungando os chorudos ordenados que “O Independente” (assim chamado) do Dr. Portas lhes paga, pelas crónicas de mal-dizer que semanalmente ali escrevinham, no cómodo formato A4.
Também o inefável Miguel Esteves Cardoso colabora no endeusamento do Portas, rebuscando a favor do patrão os trocadilhos que lhe deram notoriedade há mais de 20 anos – aquando era uma espécie de menino-prodígio da escrita fútil.
Pena que tenha deixado de ser prodígio e se mantenha menino; pena que desperdice agora o seu inegável talento juvenil a produzir romances pornográficos – ainda que muito apreciados pelas pegas e pederastas do Intendente e pelo crítico Henrique Monteiro, que os reputa (o termo é adequado) como peças exemplares da literatura moderna.

15.- O Portas é elitista. Mas simula demagogicamente interessar-se pelos problemas daqueles a quem, no seu milieu, é uso chamar ‘as classes baixas’ – como aconteceu recentemente na Bairrada, quando fingiu participar na vindima que gente simples e autêntica da terra levava a cabo (por castigo andando agora, há já várias noites, a pôr ‘creme nívea’ na sua mãozinha mimosa, nunca antes maltratada por qualquer alfaia agrícola).

16.- O Portas é dissimulado: esconde da opinião pública parte da sua verdadeira identidade.
Concretamente, oculta que é monárquico – opção que, sendo embora legítima, tinha obrigação de revelar àqueles a quem pede o voto para deputado da República !
É a tal ‘falta de transparência política’ que critica – nos outros, claro…

17.- O Portas é um democrata precário: por falta de formação ou informação, por carência de convicções ou por incoerência, rejeita a aplicabilidade universal da regra ‘”um homem-um voto” – verdadeiro axioma da Democracia essencial.
Assim sendo, não me admiraria nada que o Dr. Portas resvalasse a curto prazo para a defesa de soluções autoritárias para a governação dos portugueses, que (no seu entender) revelam “uma estranha tendência para o precipício”.

18.- Eleitoralmente, o Portas é desleal: vicia as regras do jogo. Na verdade, tendo-se feito substituir formalmente na direcção d’ “O Independente” (assim chamado), usa agora tal semanário como jornal-de-campanha privativo, aí publicitando escandalosamente os seus palpites e auto-elogios e atacando e denegrindo os adversários – com a cumplicidade na batota do respectivo ‘conselho editoral’ !
Porque não sou ‘queixinhas’, não vou lamentar-me nem reclamar contra tão anómalo procedimento – junto da comissão-de-ética do Sindicato dos Jornalistas, junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social ou mesmo junto da Comissão Nacional de Eleições.
Não vou sequer queixar-me à mãezinha do Dr. Paulo Portas. Tão-pouco protestarei junto do Dr. Nobre Guedes – tido por ‘dono do jornal’ -, até porque sei que anda absorvidíssimo por visitas diárias a feiras e mercados e pelas demais tarefas da sua própria ‘candidatura a sanguessuga’ (também pelo PP), sem que lhe reste tempo para se preocupar com subtilezas e ninharias éticas.
Aliás, provavelmente não será especialista em ‘deontologia profissional do jornalismo’.
Assim sendo, remeto a apreciação da chocante conduta do Dr. Portas e d’ “O Independente” para a opinião pública e para os jornalistas Daniel Reis, Cáceres Monteiro, César Principe e José Carlos de Vasconcelos – tidos por profissionais honestos, competentes e livres (aliás como muitos outros). Concretamente, permito-me perguntar-lhes se acham que o comportamento daquele semanário e do Dr. Portas (que usa fazer a apologia dos valores morais sociais) seja éticamente aceitável.

19.- De facto, não é fácil ser-se coerente e sério em política !

20.- Particularmente difícil é porém ‘fazer carreira política’ em Portugal – sobretudo quando não se dispõe do apoio de qualquer dos ‘lobbies’ que condicionam quase toda a nossa actual vida pública. Estou a referir-me à ’solidariedade corporativa’ na promoção individual de que beneficiam os membros da Maçonaria, os confrades da Opus Dei, os agentes dos grupos económicos e – mais recentemente – os parceiros da comunidade ‘gay’. Trata-se de organizações ou agregados que mantêm intervenção (directa ou indirecta) praticamente em todas as estruturas da nossa vida colectiva – também nos partidos políticos e na comunicação social.
Agindo concertada ou avulsamente,os membros de tais ‘lobbies’ têm grande influência sobre muitas tomadas de posição de quem-de-direito e sobre a formação da opinião pública.
Podem designadamente ajudar ao aparecimento de pretensos génios artísticos, ‘heróis sociais’ ou ídolos-de-pés-de-barro (como são muitos dos políticos de sucesso).

21.- Por definição, as interferências do género são discretas ou mesmo subliminares – e passam geralmente desapercebidas aos cidadãos influenciáveis.
Na verdade, quem é que, de manhã, ao acompanhar a torrada e o galão do dejejum com a leitura do ‘Público’, pondera que esse jornal tem dono – e que o editorialista Vicente Jorge Silva é capataz dos respectivos interesses (mesmo quando – agora instalado – escreve considerações que fazem lembrar os tempos remotos e diferentes em que foi considerado pelos situacionistas de então como um jovem rasca da ‘geração de 60′) ?
E quem perceberá que está a ser condicionado na formação da sua opinião, quando escuta na rádio uma análise ou critica – injustamente lisonjeira – da acção de um diplomata, do trabalho de um artista ou da capacidade de um político homossexual proferida por outro homossexual, se não souber que tal apreciação reporta afinal a solidariedade de pessoas da mesma minoria ?

22.- A acção de todos ou alguns desses ‘lobbies’ perpassa de facto os principais partidos – transversalmente.
E, por vezes, é no espírito-de-corpo ou jogo de conveniências dos respectivos protagonistas que se encontra explicação para surpreendentes convívios gastronómicos no ‘Gambrinus’ ou na província e para inesperados apoios ou solidariedades espúrias ocasionalmente detectáveis nos mais variados campos da nossa vida colectiva.

23.- Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências, tenho feito o meu discreto percurso de político-não-profissional apenas com a ajuda dos activistas locais do PS e o firme apoio da gente bairrista da região de Aveiro – sem compromissos em relação a qualquer daquelas estruturas ou ‘forças de pressão’. Livre e independente como sempre, enfrento a presente conjuntura eleitoral com justificada confiança.
Estrêla de 3ª grandeza nos céus confinados do meu Distrito, nada me ofusca o brilho fugaz do citado Dr. Portas – cometa ocasional, que desaparecerá deste firmamento tão depressa como apareceu (e… sem deixar rasto).
Tão-pouco me perturba a dimensão aparente do Dr. Pacheco Pereira – lua nova doutras galáxias, que (perdido o fulgor militante que o marxismo-leninismo lhe emprestava) agora só é visível quando reflecte a claridade frouxa dessa extensa nebulosa que se chama PSD.

24.- Na minha terra, sou mais forte do que eles !

25.- Na noite do próximo dia 1 de Outubro, espero poder pendurar no meu cinto de caça política as tais duas aves de arribação – espécies exóticas lisboetas pouco apreciadas na região cinegética de Aveiro: um garnisé-cantante e um pavão-de-monco-caído.
Esses troféus servirão de espantalho a futuras transmigrações para esta ‘zona demarcada entre o Douro e o Buçaco’!»

Carlos Candal

Entre_linhas 52 (18jun2009)

Ainda vamos assistindo ao rescaldo das eleições europeias, que vieram a ditar a vitória do PSD e um resultado decepcionante para o PS. Analisando os resultados registados em S. João da Madeira, importa tecer algumas considerações. Ora, se por um lado verificamos que o resultado do PSD em SJM (29,6%) foi inferior ao obtido a nível nacional (31,7%), do outro lado, temos o resultado do PS em SJM (28,6%) a ser superior ao registado a nível nacional (26,6%). Isto quer dizer que diferença entre o PSD e o PS, em SJM, acabou por se cifrar em apenas 84 votos o que é, manifestamente insignificante. Além disso, não nos podemos esquecer que Castro Almeida, o principal rosto do PSD em S. João da Madeira, foi daqueles que se opuseram internamente à escolha de Rangel como cabeça de lista do PSD às europeias. Apesar dos festejos que também, naturalmente, expressou na noite da vitória, não se pode ignorar que, sob esse prisma, a coisa não lhe correu muito bem! Mas tudo isto quererá apenas dizer que está tudo em aberto para as próximas legislativas mas também para as autárquicas. Em democracia, não há vitórias antecipadas, nem candidatos imbatíveis. Em democracia, são os votos das pessoas, expressos nas urnas, que ditam as vitórias e as derrotas. Certamente que a noite de 7 de Junho terá sido, de facto, uma lição para muita gente! http://www.europeias2009.mj.pt

As últimas estatísticas referentes ao serviço telefónico móvel (STM), publicadas pela ANACOM – entidade reguladora do sector das telecomunicações em Portugal – revelam realidades absolutamente impressionantes. Em primeiro lugar, confirmam aquilo que é evidente para todos: há mais telemóveis do que cidadãos, dado que o valor da taxa de penetração situa-se acima dos 140%, o 5º valor mais elevado da União Europeia. De facto, no final do 1º trimestre de 2009, existiam em Portugal 14,9 milhões de assinantes do STM. Por outro lado, só no 1º trimestre de 2009, os assinantes do STM realizaram mais de 1,94 mil milhões de chamadas de voz; 1,3 milhões de vídeochamadas; enviaram mais de 6 mil milhões de mensagens escritas (SMS’s) e perto de 20 milhões de MMS’s. Com este panorama quem esfregará as mãos de contentamento são os operadores de telecomunicações que, certamente, verão as suas receitas, mesmo num cenário de crise, a serem verdadeiramente expressivas. http://www.anacom.pt

Cristiano Ronaldo protagonizou esta semana um cenário verdadeiramente obsceno. E não estou a falar das fotos surgidas na imprensa em que aparecia ao lado de Paris Hilton numa discoteca em LA. Refiro-me antes aos valores envolvidos na sua transferência para o Real de Madrid. Na verdade 94 milhões de euros é muito dinheiro e deveria obrigar a uma reflexão em torno desta questão. Apesar de se tratar de um jogador excepcional, não consigo deixar de ficar chocado!

17 Junho 2009

A força do PS!

Ainda bem que do lado do Partido Socialista ninguém tentou transformar a derrota nas Europeias numa outra coisa qualquer. Foi importante para todos que os números finais fossem interpretados de forma clara e inequívoca. O PS perdeu, de facto, as eleições e esta realidade deve obrigar-nos a uma reflexão profunda, séria, aberta e frontal.

Do meu ponto de vista, o resultado obtido pelo PSD (31,7%) não é extraordinário, embora a vitória tenha sido importante para arrumar a casa e para a mobilização em torno da actual liderança. Utilizando a gíria futebolística, numa equipa que ganha não se mexe e, portanto, sabemos já que Manuela Ferreira Leite será a candidata a Primeira-Ministra nas próximas legislativas. E isso é bom para o PS!

Na verdade, se olharmos para trás, o que sabemos nós do pensamento de Ferreira Leite sobre os mais variados assuntos? De que falou ela para além de finanças públicas e da oposição à opção pelo investimento público? Que pensa ela do sector da Educação, Ensino Superior ou da Justiça? Que ideias apresentou para a Cultura ou para a Ciência? Que soluções tem para a Saúde, Segurança Social ou Segurança Interna? Qual a sua opinião sobre as Redes de Nova Geração ou sobre a utilização de tecnologias no Ensino? Qual o seu posicionamento em relação à opção pelas energias renováveis e como pensa ela apoiar as PME’s nesta época de crise? Qual a sua estratégia para melhorar a competitividade do país e a qualificação dos portugueses? Que tem a dizer aos agricultores, aos pensionistas, aos estudantes ou aos professores? E sobre o sector da comunicação social, políticas de emprego ou ambiente, ordenamento do território, reforma e modernização da administração pública, defesa, relações externas ou política europeia, que nos tem a dizer a líder do principal partido da oposição?

Manuela Ferreira Leite, na verdade, não diz nada, sobre nada, a não ser sobre finanças públicas e investimentos públicos. Não foram certamente as ideias do PSD e da sua líder que motivaram os portugueses a conceder-lhes uma vitória nas europeias. E se nestas eleições, embora devesse fazê-lo, até nem tinha que falar dado que nem era a cabeça de lista, já para as legislativas o cenário muda de figura. Manuela Ferreira Leite vai ter que falar aos portugueses sobre várias áreas, vai ter que se expor e dar-se a conhecer. E aí os portugueses vão tomar consciência daquilo que não podem escolher para a condução dos destinos do país.

Perante isto, julgo que o foco do PS para as próximas legislativas terá que ser orientado para duas frentes que não passam, sejamos claros, por reclamar os eleitores que votaram PSD. Em primeiro lugar, o foco deverá ser os 63% dos portugueses que não foram às urnas. Se considerarmos como razoável a taxa de abstenção registada nas últimas legislativas (35%), estamos a falar de perto de 3 milhões de eleitores que estarão dispostos a participar na escolha do Primeiro-Ministro mas que não se associaram, pelos mais diversos motivos, à escolha dos deputados europeus. Em segundo lugar, não podemos assobiar para o lado e fingir que o Bloco de Esquerda não existe. É precisamente para este partido que está a fugir uma grande parte do eleitorado do PS e, inevitavelmente, há que reconquistar a sua confiança. E estou certo que também este eleitorado que pretendeu, legitimamente, mostrar o seu descontentamento para com o Governo, pensará melhor nas consequências em confiar o seu voto num partido sem perfil para o exercício do poder.

Não há, portanto, outra saída. O PS terá que se impor pelas suas ideias em contraponto com o vazio que se verifica do outro lado, naquela que poderia ser, eventualmente, uma possível alternativa a um Governo PS. E estas ideias devem ser apresentadas no seguimento de um profundo trabalho de auscultação da sociedade civil, das suas angústias e ambições. O PS deve saber ouvir os cidadãos, trabalhadores e empresários, os agricultores, os desempregados e as forças de segurança, jovens e menos jovens, utentes de instituições sociais e empreendedores sociais, os sindicatos e as classes sociais mais representativas. E deve fazê-lo no terreno, olhos nos olhos, e não apenas através de meios de comunicação indirectos que, embora necessários, não são suficientes.

Os portugueses precisam de conhecer com clareza aquela que foi a acção concreta deste Governo na resolução dos seus problemas e precisam também de sentir esperança no poder das ideias que o PS lhes apresenta, com humildade, ao mesmo tempo que lhes pede o voto. Se assim for, o PSD e o CDS-PP até podem ir coligados que não serão suficientes para derrotar a força do PS e a força das nossas ideias!

Artigo publicado no jornal Acção Socialista de 17 de Junho de 2009.

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12 Junho 2009

Entre_linhas 51 (11jun2009)

O PSD ganhou as eleições europeias. Embora muitos estejam já a tentar antever aquilo que poderá vir a acontecer nas próximas legislativas, não nos poderemos esquecer que são actos eleitorais bastante diferentes. Se por um lado é claro que a tarefa do PS está agora mais difícil, por outro estou certo de que este resultado só mobilizará os portugueses para a escolha que, depois do Verão, estará verdadeiramente em causa: um Governo para Portugal e um Primeiro-Ministro. Nós, os socialistas, não podemos assobiar para o lado e fingir que nada aconteceu. Sofremos uma derrota, de facto. No entanto, esta derrota trará certamente mais força, mais mobilização e mais determinação em torno do projecto que, acreditamos, melhor serve os interesses de Portugal. Não posso deixar de fazer referência à elevada taxa de abstenção que, sendo acima dos 60%, nos deve levar a todos, a uma reflexão profunda sobre os motivos que levam tantos portugueses a ficarem à margem das escolhas democráticas dos seus representantes. E o 25 de Abril ainda tão perto!

O candidato do Partido Socialista à Câmara de S. João da Madeira; Pedro Nuno Santos, tem vindo a realizar as suas primeiras visitas a instituições sanjoanenses que dedicam a sua actividade à área social. Já todos perceberam, portanto, que esta matéria será umas das principais prioridades, senão mesmo a principal prioridade do projecto autárquico socialista. E quando digo que todos já se aperceberam dessa prioridade, incluo nesta lista o actual presidente da autarquia. Isso explica a forma violenta que usou para se dirigir a um elemento da bancada socialista na última sessão da Assembleia Municipal quando este havia colocado questões concretas precisamente em torno de matérias sociais. Por sabermos que a política social é o parente pobre da política autárquica actual e a prioridade para o principal partido da oposição, antevemos até Outubro muitas acesas trocas de argumentos. Esperemos que sejam clarificadoras para S. João da Madeira e para todos os sanjoanenses.

No passado Sábado, Portugal alcançou um sucesso desportivo importante. Não! Não estou a falar da previsível mas tangencial vitória da selecção de Futebol frente à Albânia. Estou a falar de algo muito mais interessante, muito mais prestigiante para o nome de Portugal e que foi a conquista da medalha de ouro conseguida pelas portuguesas Joana Ramos e Telma Monteiro e a de bronze por Leandra Freitas, na Taça do Mundo de judo (no Domingo, nova medalha de ouro, desta feita para Yahima Ramirez). Apesar de bastante relevante este êxito, a nossa comunicação social, como sempre quando se trata de modalidades diferentes do futebol, não deu grande destaque ao momento. Preferiu continuar a passar tudo sobre o jogo de futebol, nem que seja o desejo que as miúdas nas bancadas nutrem pelo nosso Cristiano Ronaldo. É pena que não se acarinhem os sucessos efectivos e se vá preferindo enaltecer os sucessos virtuais.

05 Junho 2009

Entre_linhas 50 (4jun2009)

No próximo dia 7 de Junho, estarão abertas as urnas para mais um momento eleitoral. Encaro estes dias como uma celebração da democracia, em que os eleitores, cidadãos e contribuintes podem expressar, livremente, as suas opções em relação àqueles que serão os seus próprios representantes. Desta vez, são as eleições para o Parlamento Europeu e já não é mais suportável o argumento de que tal nada tem que ver com Portugal. Pelo contrário! Cada vez mais a vida da Europa e de Portugal se confundem e todos sabemos que, para termos um Portugal mais forte, é indispensável termos uma Europa mais forte, mais coesa e mais solidária. Por isso é que é muito importante a participação na eleição dos próximos 22 eurodeputados portugueses. Seja qual for a sua opção, não deixe, portanto, de exercer o seu direito que, afinal de contas, também é um dever! Vote!

Foi lançado pelo Gabinete do Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico o Concurso Nacional de Ideias Criativas - «Criar2009», com o objectivo de incentivar a criatividade e inovação, valorizando a sua interacção e aplicação prática na actividade económica. Estarão em concurso ideias agrupadas em três áreas, a saber: Visões: Propostas de natureza conceptual; Design: Propostas de criação de um objecto, forma ou estrutura, funcional ou artística e Tecnologias: Propostas de uma aplicação ou solução digital. As ideias serão recolhidas, em formato vídeo, durante os meses de Junho e Julho, através da página web http://www.criar20009.gov.pt/concurso, e será atribuído um Prémio pecuniário no valor de 1.000 euros, aos autores das 10 ideias mais criativas. Esta iniciativa está integrada no Ano Europeu da Criatividade e Inovação.

Segundo ‘O Regional’, cinco anos depois de ter sido retirado do Largo do Mercado, o busto do Dr. Renato Araújo vai ser devolvido à Avenida que tem o seu nome, desta feita no Largo do Hospital. Com o pretexto desta intervenção, será também requalificado o lago da rotunda que, segundo o Presidente da Câmara “está bastante feio”. Ora, cá está um exemplo em como o aproximar de eleições faz aparecer muitas coisas. Neste caso, o busto no armazém da Câmara e a atenção para com as coisas menos bonitas da cidade!

Não podia deixar de felicitar a minha amiga Irene Guimarães pelo facto de ter sido eleita para dirigir a minha escola, a Secundária Serafim Leite. É uma pessoa de grande capacidade de trabalho, muito profissional e dedicada, sensível aos problemas e às pessoas. Desejo-lhe, portanto, as maiores felicidades para enfrentar os desafios que tem pela frente!

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28 Maio 2009

Entre_linhas 49 (28mai2009)

A Ministra da Educação esteve a semana passada em S. João da Madeira a lançar, simbolicamente, a primeira pedra da nova escola Parrinho/Mourisca. Trata-se de uma escola que representa um investimento total de cerca de seis milhões de euros, dos quais 70 por cento (4,2 milhões) são suportados por fundos comunitários. Os restantes 30 por cento (1,8 milhões) são financiados, em partes iguais, pelo Ministério da Educação e pela Câmara Municipal, cabendo a cada uma destas duas entidades uma verba de cerca de 900 mil euros. Ora, esta é mais uma evidência daquilo que foi o envolvimento do Ministério da Educação no reforço das condições educativas do nosso concelho. Recordo apenas que a escola secundária Serafim Leite foi uma das escolas piloto do Plano Tecnológico da Educação, que se encontra já em execução pelo país, com um investimento global que ronda os 400 milhões de euros. Óptimas notícias para S. João da Madeira, para os alunos que frequentam as nossas escolas e para toda a nossa comunidade educativa.

Gostei de ler, a semana passada, a entrevista do Governador Civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, ao Regional. Trata-se de uma pessoa que tem exercido o seu mandato de forma irrepreensível, facto que só prestigia o distrito de Aveiro. É jovem, não só de idade mas também e acima de tudo de espírito, e revela uma grande sensibilidade para as questões sociais, como foi notório nas respostas às perguntas assertivas colocadas pelo jornalista António Gomes Costa. Também é reconfortante saber da boca deste representante do Governo no Distrito de Aveiro que a PSP de S. João da Madeira tem feito um óptimo trabalho.

Há um inquérito ainda mantido no site d’O Regional que me desperta particular interesse. À pergunta “Concorda com a criação de uma empresa municipal para gestão da água e saneamento públicos?”, apenas 54 por cento dos respondentes afirma concordar com essa solução. Não sabemos quantas pessoas já responderam ao inquérito e se a amostra será significativa. O que sabemos é que já temos uma empresa municipal para gestão da água e saneamento públicos e sabemos ainda que não se tratou de uma decisão pacífica e que, claramente, divide os sanjoanenses. Já aqui me manifestei contra esta solução para a gestão de um bem público como é a água e como eu muitas outras pessoas também já o fizeram e vários partidos já o manifestaram. Acho, pois, que se tratou de um erro que prejudicará o futuro da nossa Cidade. Ainda bem que O Regional ainda não retirou este inquérito do seu próprio site para que nos relembremos sempre desta questão!

24 Maio 2009

Resistência à água!

Não estarei muito longe da verdade se disser que o programa e-escolinha (mais conhecido, por abuso de linguagem, por Magalhães) é, provavelmente, a iniciativa política mais comentada por esse país fora. Basta andar uns minutos pelo Twitter ou abrir um qualquer jornal, local ou nacional, para se verificar isto mesmo. Agora o Magalhães até se apresenta como responsável pelo eventual aumento dos casos de miopia em Portugal, vejam só!

Acontece que a maioria das opiniões surgidas na comunicação social à volta deste tema não se centra no essencial. O que vai sendo recorrente são ataques descabidos, despropositados, pouco fundamentados e muito pouco rigorosos em torno de aspectos que, sinceramente, não acrescentam nada àquilo que realmente seria importante discutir. E o que era importante discutir, do meu ponto de vista, é se as TIC são ou não úteis no contexto ensino-aprendizagem. O que importaria discutir era se o Magalhães se mostra ou não importante como parte integrante de uma estratégia de introdução de tecnologias na sala de aula. Disto, pouco se fala! Ou melhor, disto a comunicação social, em geral, não quer saber!

Luís Marques, por exemplo, num artigo no Expresso intitulado de “Olhò Magalhães”, tem dúvidas de que o Magalhães seja o “instrumento certo para motivar crianças e respectivos pais a aceder ao conhecimento e à tecnologia”, socorrendo-se da suposta opinião negativa de “muitos especialistas” (sem, porém, exemplificar quais)! Ora, Seymour Papert, um conceituado pedagogo, matemático, inventor da linguagem Logo e um dos fundadores do MIT Media Lab, diz precisamente o contrário. Já na década de 60 ele dizia que toda a criança deveria ter um computador na sala de aula.

Depois, este cronista vem contestar a gratuitidade da distribuição do Magalhães, cometendo novamente imprecisões que, apesar de trazerem alguma “acção” ao seu artigo, do meu ponto de vista, só lhe retira credibilidade. É falso que o computador chega às crianças “de graça, sem pagarem um cêntimo”. Na verdade, o computador só chega de graça aos alunos oriundos das famílias em situações de maior carência económica, comprovada por documentos recolhidos pela escola no âmbito da organização dos processos de candidatura à acção social escolar. Mas, a esses alunos chega de graça o Magalhães como chegam as réguas, os livros ou as refeições. Na minha opinião, este apoio promove a igualdade de oportunidades no acesso à educação e a condições que facilitem o seu sucesso escolar e isso é um direito que assiste a essas crianças. Muitos não pensarão assim e para esses os pobres nem deveriam ter este tipo de apoios! Contudo, não é nesse grupo de elitistas que eu me encontro!

Confesso que estou um pouco cansado de ver o que alguns em Portugal vão dizendo, de forma já ridícula, do Magalhães e da estratégia de disseminação das TIC nas escolas portuguesas, tanto mais que, ao mesmo tempo, se vão ouvindo, do exterior, comentários de outros ângulos vindos de personalidades respeitadas. Steve Balmer, CEO da Microsoft, apelidou a iniciativa de “incrível, única, espantosa e fenomenal”, acrescentando que “não há nenhum país que esteja a fazer isto que Portugal está a fazer”, onde “cada aluno dos 6 aos 10 anos vai ter um computador portátil”. Don Tapscott, autor de Wikinomics e de Growing Up Digital - The Rise of the Net Generation, numa passagem recente por Portugal, referiu que "o Programa Magalhães é a mais sofisticada e avançada implementação das tecnologias de informação em educação no mundo” e que Portugal é hoje “um líder na utilização de tecnologias de informação e da Internet.”

Perante tudo isto, importa invocar uma das características do Magalhães que é a sua resistência à água. O mesmo não se pode dizer em relação às folhas de jornais que vão alimentando este tipo de opiniões ridículas. E ainda bem!

Artigo publicado no Jornal Acção Socialista.

22 Maio 2009

Entre_linhas 48 (21mai2009)

Pelo segundo ano consecutivo, a Teia dos Sentidos vai organizar, entre os dias 16 e 18 de Julho, a Mostra de Curtas-Metragens, que este ano conta com um dia inteiro dedicado a workshops. O objectivo desta Mostra é esti-mular o gosto pela sétima arte e incentivar jovens talentos, dando-lhes a oportunidade de apresentarem os seus trabalhos ao público. A mostra decorrerá no auditório dos Paços da Cultura e as curtas-metragens realizadas por estudantes, profissionais ou amadores, serão exibidas diariamente, a partir das 21h30. Os interessados em participar devem proceder ao registo da sua intenção através do envio, até 30 de Maio, de um e-mail para o endereço teiadossentidos.geral@gmail.com, anexando uma sinopse do seu trabalho, acompanhada de uma breve biografia do(s) autor(es) do filme. A Teia dos Sentidos é uma associação cultural do Entre Douro e Vouga (EDV), que não se esgota, no entanto, nos limites geográficos da região. Sem fronteiras físicas ou virtuais, debate-se pela promoção e divulgação dos talentos e iniciativas regionais de carácter artístico a uma escala global. Para mais informações, visite o site da Associação em http://simbiose.sitesedv.com.

Se reparou no endereço do site na Internet da Associação anterior, verifica que está ligado a uma ferramenta desi-gnada por SitesEdv, ferramenta esta que permite promover a produção de conteúdos relevantes por parte de colec-tividades da área de influência dos cinco municípios do Entre Douro e Vouga (Arouca, Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra). O projecto SitesEdv, inserido na iniciativa maior que é o EDV Digital, «tem como principal objectivo permitir que qualquer colectividade da Região (Escola, Associação, Assembleia Municipal, Junta de Freguesia, cidadão, entre outras) crie um site de forma simples e assistida e que possa vir a ser gerido de forma autónoma, simples e intuitiva, (…) com conteúdos e layout personalizados, facilmente actualizáveis e dinâmicos». Ao olhar para trás, vejo alguns projectos inseridos do EDV Digital a perderem dinâmica e outros, inclusivamente, a serem postos de lado, como foi o caso do NET sobre RODAS. Este projecto assumia um papel importantíssimo na disseminação das TIC e na massificação da utilização da Internet junto de públicos específicos como idosos, cidadãos com necessidades especiais, entre outros. Se ainda estivesse a funcionar, poderia ser utilizado para apoiar, por exemplo, os encar-regados de educação na utilização do Magalhães, a que os respectivos filhos acederem recentemente. Para quem esteve ligado ao EDV Digital, como eu estive, é, pois, uma satisfação ver que esta ferramenta SitesEdv ainda é útil para as colectividades desta Região.
http://www.sitesedv.com

15 Maio 2009

Entre_linhas 47 (14mai2009)

É notória a aversão que muitos alunos têm em relação à Matemática, muitas vezes motivada apenas por uma questão de estatuto social negativo que esta disciplina possui. Não é tanto pelo seu grau de dificuldade mas antes pela imagem de “bicho de sete cabeças” transmitida por muita gente ao longo de anos a fio. É, portanto, esta imagem negativa que precisa de ser combatida, com o objectivo de desmistificar alguns aspectos que têm funcionado como barreira psicológica para muita gente, impedindo o sucesso escolar nesta área de saber. O Projecto Matemática Ensino – PmatE – é um projecto de investigação e desenvolvimento, promovido pelo Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro desde 1989, começando por ser um projecto que pretendia criar nos alunos o gosto pela Matemática. A edição deste ano, mais alargada, contou com cerca de 20 mil alunos, oriundos de 1.278 escolas nacionais e de Moçambique para participar em nove competições que congregam já cinco áreas: Matemática, Biologia, Física, Português e Geologia. Este ano ficou também marcado pelo facto de uma equipa do 11.º ano da Escola Secundária Oliveira Júnior, de S. João da Madeira, ter conseguido o 1º lugar para a categoria mat12 – 11º ano. Os jovens Filipe Oliveira e Fábio Barbosa estão, portanto, de parabéns, sem prejuízo de enaltecermos todos os outros participantes das várias escolas de S. João da Madeira. A mera participação nesta iniciativa já é bastante importante e digna de ser sublinhada. http://pmate2.ua.pt/pmate

Manuel Cambra, surpreendentemente, deu uma rara entrevista ao Jornal Labor, onde passa em revista alguns dos anos que passou à frente da Câmara Municipal. Revelou que se sente “triste com algumas situações de ingratidão” dos sanjoanenses, recusando qualquer homenagem já reclamada, inclusivamente, por Jorge Lima ou Américo Santos. Incluo-me no grupo daqueles que lutaram por uma alternativa à gestão de Manuel Cambra que, a certa altura, se mostrou desgastada, caracterizada por alguma teimosia e sem a frescura para levar por diante os projectos e as iniciativas de que a Cidade precisava e que, aliás, continua a precisar. No entanto, sou também daqueles que nutrem um respeito muito grande por este Homem que, à sua maneira, deu grande parte da sua vida a esta nossa comunidade. Nem sempre concordei com Manuel Cambra, é verdade! Os cinco anos que passei na Assembleia Municipal fui, muitas vezes, duro com as suas opções políticas. No entanto, apesar das profundas divergências políticas, sempre o respeitei e reconheci a sua dedicação à Cidade e aos sanjoanenses. Considero, portanto, que a Cidade lhe deve uma justa homenagem, pela sua dedicação à construção de uma Cidade que era e é de todos.

10 Maio 2009

Entre_linhas 46 (07mai2009)

Numa sessão realizada no passado dia 2 de Maio no auditório do Centro Empresarial e Tecnológico, Pedro Nuno Santos apresentou formalmente a sua candidatura à Câmara Municipal de S. João da Madeira. Numa sala completamente cheia, tratou-se de uma oportunidade para, por um lado, mostrar a mobilização e os apoios que a sua candidatura está a conseguir congregar e, por outro, partilhar algumas das prioridades que deverão fazer parte do projecto autárquico a apresentar aos sanjoanenses. Já uma semana antes, num jantar alusivo ao 25 de Abril, estiveram mais de 100 pessoas, militantes e independentes, a dar corpo a esta alternativa à actual gestão autárquica. Espero que todos os partidos, incluindo o PSD, apresentem rapidamente os seus candidatos para que se possa discutir frontalmente e abertamente o futuro de S. João da Madeira.

Tem-se falado muito do Bloco Central, um hipotético entendimento PS/PSD após as eleições legislativas, caso nenhum deles obtenha maioria absoluta. Na minha opinião, será de todo um cenário completamente descabido, uma vez que estamos perante dois partidos com projectos de sociedade e de resposta à crise completamente diferentes. Mas a quem interessará falar deste assunto? Ao PS não será, como é óbvio! De facto, ao PS não interessará passar a ideia de que a maioria absoluta poderá estar em causa. O objectivo é esse, tendo já José Sócrates definido há muito essa fasquia. Aliás, os portugueses, na hora da verdade, pesarão os prós e os contras de deixar o país numa situação de governo minoritário, numa altura em que todos os partidos actualmente na oposição de mostram radicalmente contra tudo o que é proposto. O que interessa é armar confusão, é lançar atoardas, nem que para tal se usem as armas mais comuns nestas coisas: a demagogia e a irresponsabilidade.

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04 Maio 2009

Entre_linhas 45 (30abr2009)

Numa iniciativa inédita no panorama político português, o Secretário-Geral do Partido Socialista, José Sócrates, respondeu no passado dia 25 de Abril a 11 das 150 perguntas enviadas por cidadãos comuns para o site http://www.socrates2009.com. Todas as perguntas foram dirigidas a Sócrates por vídeo gravado previamente pelos próprios utilizadores, às quais o SG do PS respondeu de forma directa e pessoal após respectivo enquadramento levado a efeito por Carlos Zorrinho. Tratavam-se de questões concretas, sobre problemas reais que afectam as pessoas neste contexto de crise mundial. Estamos, portanto, numa nova era de se fazer política e esta iniciativa foi um excelente exemplo disso mesmo. A entrevista a um político com esta responsabilidade foi conduzida pelos próprios cidadãos e não apenas por jornalistas que se centram, muitas vezes, em assuntos que não são tão importantes para as pessoas. Os tempos estão a mudar, de facto! Se não teve a oportunidade de ver em directo, reveja toda a entrevista no site respectivo!

O Conselho de Ministros do passado dia 23 de Abril aprovou uma proposta de Lei que alarga o regime da escolaridade obrigatória para às crianças e jovens que se encontram em idade escolar e consagra a universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir dos cinco anos de idade. Este diploma vem estabelecer a escolaridade obrigatória, de carácter universal e gratuito, para as crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos, bem como consagrar a universalidade da educação pré-escolar para todas as crianças a partir do ano em que atinjam os cinco anos de idade. Não são medidas quaisquer. São duas medidas que constituem uma mudança radical naquilo que é a estrutura educativa em vigor em Portugal, ao mesmo tempo que aproximam o nosso país daquilo que são as práticas habituais no contexto europeu. Já há muito que se diagnosticou esta necessidade! Finalmente passou de uma mera intenção antiga para a realidade.

Tive a oportunidade de participar o World Telecommunication Policy Forum 2009, que se realizou na passada semana em Lisboa. Este importante evento à escala mundial juntou durante três dias no mesmo espaço 900 delegados oriundos de 120 países diferentes, com o objectivo de se debater os desafios colocados ao sector das telecomunicações no sentido da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, sem exclusão. Durante os trabalhos todos os participantes puderam utilizar o Magalhães e, pelas conversas que mantive com delegados de vários países, desde os EUA a África, passando pelos asiáticos e europeus, foi consensual o entusiasmo com que descreviam aquilo que Portugal está a fazer com o projecto Magalhães e em matérias de utilização das TIC nas escolas. A imagem de Portugal ficou, portanto, bastante prestigiada!

23 Abril 2009

Entre_linhas 44 (23abr2009)

Na semana passada, soube-se que um aluno do 8.º ano, o jovem Vasco Lage Henriques, venceu, pela segunda vez, o Axiómetro. Trata-se de um jogo de cidadania, da autoria de professores da Escola Secundária João da Silva Correia e resultante do Observatório de Educação Cívica, que visa contribuir para o aperfeiçoamento da qualidade do relacionamento cívico dentro da Escola, como estratégia pedagógica de modelação de comportamentos dos alunos para a vida. Neste jogo, os alunos recebem pontos em função da excepcionalidade de alguns dos seus comportamentos, possuindo, cada um, uma conta-corrente, com um saldo positivo, ou negativo. O aluno com o melhor saldo positivo mensal é reconhecido como o “incrível” do mês, recebendo um prémio, constituído por um livro sobre a cidade, um diploma e o reconhecimento público, ao qual o jornal local ‘O Regional’ se associa, divulgando o perfil dos vencedores. A Associação de Pais da Escola colabora com esta iniciativa, atribuindo outro prémio aos alunos que, em cada mês, passem o seu saldo de negativo para positivo: os chamados “transformers”. Este tipo de iniciativas demonstram que, de facto, o trabalho dos professores, dos bons professores, vai muito para além da actividade dentro da sala de aula. Para bem da escola e da formação dos nossos alunos.

Em ano de eleições, os vários Partidos políticos vão alinhando as suas estratégias eleitorais que, com o aproximar do primeiro acto – Europeias – se vão tornando cada vez mais claras. Há um partido que me tem surpreendido (pela negativa) pelo discurso que adoptou e pelo adversário privilegiado que escolheu: o Bloco de Esquerda. Não é já notícia a estratégia nacional do BE, que passa pelo ataque constante, desenfreado e quase sempre demagógico ao Partido Socialista, típico de quem pode dizer mal de tudo por saber que não tem vocação para o exercício do poder. Agora começa a ser ridículo, que também ao nível autárquico, o BE oriente as suas críticas ao PS! Por exemplo, em S. João da Madeira, o BE já começou a dar sinais que preocupar-se-á mais com a crítica ao PS do que em apresentar alternativas ao poder autárquico actualmente instalado no município. Felizmente que o eleitorado está atento!

Aliás, na passada segunda-feira, assistiu-se na RTP ao primeiro debate público entre os cabeças de lista às Europeias pelos cinco principais partidos políticos. Todos verificaram qual vai ser o registo, inclusivamente sublinhado por Vital Moreira, cabeça de lista pelo PS. Vai ser o chamado “4 contra 1”, em que os partidos da oposição, todos eles, cavalgarão em cima da crise internacional, numa gritaria ridícula contra o governo em funções. Da Europa, esses partidos pouco falarão, é certo! Espero que Vital Moreira e os restantes candidatos do PS possam, no entanto, gritar mais alto e consigam falar da Europa e dos desafios que temos pela frente!

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O sobe e desce!

O World Economic Forum publicou, no passado dia 26 de Março, o Global Information Technology Report 2008-2009, um relatório anual que integra um índice - Networked Readiness Index (NRI) - que se propõe medir o aproveitamento que os países ou regiões do globo fazem dos benefícios das tecnologias de informação e comunicação (TIC).

Como acontece sempre que é publicado um qualquer ranking digno desse nome (ou nem isso), várias notícias foram publicadas sobre o assunto, a maioria das quais centrando-se no posicionamento de Portugal. Mas o curioso de tudo isto são os diferentes registos como as notícias são produzidas sobre o mesmo fenómeno, diferenças essas que deverão gerar muita confusão na cabeça das pessoas. Portugal está, afinal, a melhorar ou a piorar?

Olhando apenas para o ranking final, em relação à edição do ano passado, Portugal desceu duas posições, por ter sido ultrapassado pelos Emiratos Árabes Unidos e pelo Qatar. Portugal está agora na 30ª posição, numa lista de 134 países. No entanto, importa dizer que na edição 2003-2004 éramos o 31º, numa lista de 102 países. Por outro lado, considerando apenas os países da União Europeia, Portugal apresenta-se agora na 14ª posição, a mesma da edição do ano passado. Na edição 2003-2004 éramos o 17º da UE27 e, desde essa altura, ultrapassámos países como a Itália (hoje em 45º lugar), a Espanha (hoje em 34º lugar) ou a Eslovénia (hoje em 31º lugar).

Mas o relatório dá-nos outras informações importantes para além deste posicionamento relativo entre países. Na verdade, o Governo português é considerado o 4º que maior importância atribui às TIC na sua visão de futuro. É certo que na edição anterior fomos o 2º, mas também é verdade que na edição 2006-2007 fomos, neste mesmo indicador, o 7º da lista.

Observando com maior detalhe alguns indicadores concretos, podemos ainda verificar que Portugal é o 9º país com o tempo mais reduzido para se criar uma empresa, é o 9º com o maior nível de disponibilidade de serviços públicos online e é também o 9º na prioridade dada pelo Governo às TIC, tudo isto em áreas que resultam da acção directa do actual Executivo.

Podemos igualmente referir que Portugal, nesta última edição, está no 13.º lugar na capacidade da administração pública em usar as TIC, embora no ano passado estivesse em 12º. No entanto, não devemos esconder que na edição 2006-2007 estávamos na 26ª posição. Por outro lado, em relação à utilização das TIC pela administração pública, Portugal figura no 18º lugar, cinco posições acima da edição do ano anterior e 11 em relação à edição 2006-2007.

Ora, podemos, de facto, ter sido ultrapassados pelos Emiratos Árabes Unidos e pelo Qatar em relação à edição anterior (países que não são propriamente do nosso campeonato). No entanto, o nosso "score" final deste ano (4,63) é superior ao do ano passado (4,60) e ao de há dois anos (4,48), considerando a mesma metodologia. Ou seja, Portugal está a evoluir positivamente, sendo que a acção directa deste Governo em matérias tecnológicas é a grande responsável por esta evolução.

Neste ranking em concreto, para darmos um salto ainda maior precisamos de melhorar a perfomance na preparação para o uso e na utilização efectiva das TIC por parte da população. É algo que há muito se sabe e que há muito teve, aliás, uma resposta do Governo. A melhoria das qualificações dos portugueses através das Novas Oportunidades, projectos como o e-escola e o e-escolinha, o Plano Tecnológico da Educação e a promoção da Banda Larga são apenas algumas dessas respostas que, embora já no terreno, os seus impactos demoram mais tempo a virem ao de cima. Mas, mesmo assim, cuidado! Haverá sempre alguém, em Portugal, a preferir enaltecer a eventual subida de posição da Tanzânia ou, quem sabe, do Bangladesh!

Artigo publicado no Jornal de Negócios de 23 de Abril de 2009.

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17 Abril 2009

A resposta de @JMF1957

João Almeida Santos, escreveu no Diário Económico de 17 de Abril, um artigo de opinião com o título: A importância de ser jornalista.


No meu espaço no Twitter, questionei o visado, José Manuel Fernandes (Director do Público e com o nickname no twitter @JMF1957), no sentido de conhecer a sua opinião em relação ao conteúdo do artigo onde se refere, por exemplo que "A matriz reconhecida do jornalismo não é seguramente a de @JMF1957". Umas horas depois, após insistências que não eram já só as minhas, a resposta foram estes 9 pontos:

1. @lmferreira2 É fácil responder a João Almeida Santos, filósofo mas também assessor político de Sócrates e dirigente do PS.

2. No Livro de Estilo distingue-se entre informação (objectiva), análise (interpretação) e opinião (subjectiva). Ele mistura tudo.

3. Pretende que os jornalistas apenas são mediadores, não escrutinadores. É um homem para quem investigar Watergate seria crime

4. Acha k os jornalistas não têm direito à opinião, só k têm se houver “clara distinção entre notícias e opiniões”. Ela existe no Público

5. Se os media só pudessem “informar”, ele não escreveria opiniões apresentando-se como filósofo e omitindo os seus cargos políticos

6. Escreve que os media “nem sequer são escrutinadores, porque ninguém lhes passou mandato para isso”. Nixon dizia o mesmo.

7. Nunca defendi que os media fossem um contrapoder, antes um contrapeso numa sociedade democrática onde existem “checks and balances”

8. Sem “checks and balances” podem ganhar-se eleições mas aumentam riscos associados ao poder absoluto. Riscos que existem em Portugal

9. Por aqui me fico: já perdi muito tempo com um filósofo que, na pele de assessor, tenta justificar processos k PM pôs a vários jornalistas

Depois dos 9 pontos, ainda proporcionou aos que o seguem no twitter um comentário a Henrique Monteiro a propósito da alegada confusão entre as expressões "contrapoder" e "contra o poder". Diz ele:

"@HenriquMonteiro: Por isso prefiro utilizar o termo contrapeso em vez de contrapoder, que para muitas pessoas é equívoco."

Deixo para aos leitores as conclusões sobre o tema! Eu retirei, obviamente, as minhas!

Portishead - Roads

Ao vivo foi inesquecível!